sábado, 18 de dezembro de 2010

PLACKK na hora errada ! _ A era de egeu pt.7



Free estava exausto quando chegou à beira da estrada, estava cambaleante, andava com dificuldade e desequilibradamente, o suor escorria e ardiam seus ferimentos já latejantes. Quando se preparava para sentar avistou faróis distantes. Conferiu o GPS, eram eles.

Smaug chegou num triciclo e Lui em outro e Dora em uma Yamaha. Free desfez o feitiço de invisibilidade e seguiu cambaleante em direção a eles. Smaug não conseguia acreditar no que via. Como e quem teria feito aquilo a Don Dylon ? Eram as perguntas que palpitavam sem parar em sua mente. Lui já se posicionava para dar cobertura a Dora que correu em direção a Free para apoiar e guiá-lo até o “berço” de sua moto. Antes que pudesse carregá-lo até o berço, Dora percebeu a movimentação de veículos se aproximando pela estrada das montanhas e avisou ao grupo que decidiu se adiantar.

Neste momento Smaug finalmente acordou do transe e deu um grande abraço em Free, Lui o cumprimentou com um tapinha nas costas e Dora o fitou de cima a baixo, enquanto todos faziam muitas perguntas ao mesmo tempo, mas não havia tempo para respostas. Já aconchegado no berço, Free mostrou sorridente a maleta com as capsulas de egeu, então a guardou e tentou um feitiço de cura. Lui alertou a todos sobre a urgência de saírem dali e subiu em seu triciclo. Todos fizeram o mesmo e deram partida nos motores.




Para surpresa e azar de Lui seu motor não deu partida, ele se lembra de uma mangueira que estava afrouxando e ele havia ficado de trocar. Mas óbvio que aquele não era o momento para fazer a troca. Teria que apertá-la novamente com as mãos como havia feito de modo provisório da ultima vez. A esta altura os outros já haviam saído com seus veículos. Ele abaixou e tateou até pegar a tal mangueira, seguiu até a conexão foruxa e apertou. Tentou dar partida no motor mais uma vez.

Ruuuunnnnnnn ..rrrrruuuurrrrrnnnnn....RrRrrRruuUuuuUnnnnnNnnn.... E nada... A esta altura os outros já haviam sumindo de suas vistas. Ele abaixou e tocou a conexão mais uma vez, desta vez apertou com um pouco mais de força e “PLACKK” ... silêncio ....

_NNNNNNNNNNNÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!

Lui conseguiu quebrar a conexão de vez, soltou um grito de raiva e indignação! Logo naquele momento! Jurou nunca mais postergar a manutenção de seu Triciclo. Mas também não havia tempo para lamentação, alguém se aproximava, e não gostaria de ficar ali para conhecer. Avisou aos outros pelo rádio e logo voltaram para ajudá-lo.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A Fuga _ A era de egeu pt.6



Free encontrou uma clareira e decidiu parar para descansar um pouco. Mantendo-se invisível sentou em uma pedra e suspirou profundamente. Conferiu o GPS e constatou que os aliados ainda estavam distantes, mas se aproximavam rapidamente. Não restava mais nada a não ser aguardar. Inclinou-se em uma pedra e fechou os olhos. Em certo momento ouviu arbustos farfalhando. Logo se colocou de prontidão, subiu na pedra e avistou lobos esgueirando por entre as árvores.




 Percebendo o perigo começou a caminhar rapidamente. Sentia a todo o momento que estava sendo seguido. Estavam provavelmente utilizando o faro para persegui-lo, o que neutralizava em muito seu feitiço de invisibilidade, por isso desfez o feitiço para poupar energia. Minutos depois parou atrás de uma grande rocha na subida de uma montanha. Aquela era uma posição privilegiada. Tinha a visão do alto, a proteção e a camuflagem de grandes rochas. Ouvia uivos arrepiantes constantemente. O frio era cada vez maior e uma neblina rasteira começava a se formar.






De costas para uma rocha ativou sua trava de feitiço e sacou sua Ares Predator. Olhou para baixo por entre as frestas do rochedo e viu um dos lobos perambulando lá em baixo, era enorme e farejava sua trilha. Aproveitando-se do fator surpresa, concentrou todas as suas forças e uma imensa bola de mana eclodiu em volta de suas mãos, saiu detrás da rocha e apontou para a fera que partiu em disparada em sua direção imediatamente após avistá-lo. Sem perder tempo converteu a mana em dardos mágicos que foram disparados pelo cano feroz de sua sedenta ares.  Os disparos atingiram o alvo em cheio, destruindo a articulação de uma de suas patas dianteiras, dilacerando seu couro como papel molhado. A fera ressoou um ganido agonizante e caiu rolando no chão, até parar, usando como freio a cara arrastada contra a terra.




Gravemente ferida, mas não morta, a criatura estava caída a poucos metros de Free e pela fúria que moldava sua expressão de ódio não seria a perda de um membro que iria fazê-la recuar. Os dois estavam frente a frente, de pé Free apontava a arma para o lobo, que por sua vez encarava-o de forma compenetrada.  Demonstrando velocidade de reação, a fera desferiu um ataque veloz e apesar da pronta tentativa de esquiva Free não evitou todo o golpe. As garras afiadas rasgaram suas roupas e parte de sua barriga, obrigando-o a contrair imediatamente os músculos, a dor era imensa enquanto observava seu sangue jorrar manchando a roupa esfarrapada. Antes que pudesse assimilar o golpe, o lobo usou as patas traseiras para quicar na rocha e desferir um novo ataque. A criatura veio voando para cima de Free que usou os braços para se defender. Com o impacto os dois rolaram montanha abaixo e pararam perto de uma ribanceira. Incansável o lobo levantou e partiu para cima novamente.




Free sentia-se exausto, mas não podia vacilar, sabia que aquele lugar ermo não poderia ser seu tumulo, aquele momento não poderia ser seu fim, não era aquele o destino que havia imaginado. Com a vontade de um Deus levantou tão rápido quanto o ágil lobo. Concentrou-se novamente na arma em suas mãos e no exato momento em que a criatura pulou com garras e presas em sua direção, disparou um coquetel fatal de chumbo e mana que o atingiu direto no peito. O impacto foi tão violento que jogou a carcaça da criatura barreira abaixo, espatifando-se nas rochas e atracando nas águas de um brejo.







Ao fim da batalha os olhos de Free estavam esbugalhados, suas narinas arreganhadas suspiravam sem parar, a respiração estava extremamente ofegante. Seus olhos ardiam de sangue, estava todo sujo de areia e lama, ferido e com as roupas rasgadas. Conferiu o GPS mais uma vez e observou que o grupo estava à meia hora dali. Reuniu suas últimas forças para um feitiço de invisibilidade e foi de encontro à estrada para adiantar seu resgate.


segunda-feira, 26 de julho de 2010

Perseguição _ A era de egeu pt.5



Depois de alguns minutos na estrada deserta pensando em seu encontro com Sarah e observando a imensa e brilhante lua que iluminava o caminho, Free avistou faróis a sua frente que estavam a certa distância, mas rapidamente se aproximavam. Seu primeiro pensamento foi fazer a volta e retornar, mas àquela altura já não havia tempo, seria alcançado com facilidade, e sem muita escolha manteve a trajetória até perceber dois veículos que paralelamente fechavam ambas as pistas em alta velocidade. Antes que fosse tarde demais para evitar o choque, esquivou com a motocicleta para fora da estrada diretamente no matagal. Tentava manter-se no controle do veículo que ainda em velocidade invadiu arbustos, atropelando pedras entre outros obstáculos.



Aos trancos e barrancos conseguiu domar a moto e retornar para a estrada alguns metros à frente apenas com alguns arranhões e a adrenalina a mil. Ao sair da margem e retornar para a o asfalto se expôs e foi alvejado por atiradores que haviam descido dos carros enquanto fusores esquentavam os motores para partir em sua perseguição. Acelerando o máximo possível Free queimava o pneu traseiro que gritava alto enquanto rabiscava o asfalto e enfumaçava o ar na tentativa de escapar da chuva de chumbo que caía em sua direção, naquela noite as armas não se demonstravam dispostas a economizar munição.



Os atiradores ficaram para trás, mas a moto acabou sendo atingida no motor que começou fazer muito barulho e fumaça, ainda assim Free continuou acelerando. Isso deu a ele alguns importantes segundos de vantagem que possivelmente salvaram sua vida, pois a moto perdia velocidade a cada segundo e os fusores vinham com tudo. Encostou apressadamente, abandonou a moto a beira da estrada e correu novamente para dentro do matagal a procura de um lugar aonde esconder-se. Enquanto corria em meio ao matagal ativou o sinal de alerta em seu comunicador, que espalhou a mensagem de resgate com a sua localização para os demais. Tornou-se invisível dentro da mata e andou com dificuldade de terreno e iluminação por mais ou menos meia hora até parar exausto.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O primeiro beijo _ A era de egeu pt.4


A viagem durou um pouco mais de duas horas e levou Free a um vilarejo aparentemente deserto em Redmond. A marcação apontava exatamente para uma pequena casa de madeira na beira da estrada. Free confere a posição e confirma a resposta.

Após estacionar a moto em um lugar discreto caminhou atento em direção a casa. A esta altura já não possuía tanta certeza se havia sido uma boa escolha ter vindo tão de repente e sozinho. Mas sem hesitar entrou furtivamente, sem bater.

Para sua surpresa, ou não, Sharon já o aguardava. Estava sentada em um sofá velho e empoeirado, cuidadosamente arrumado em meio à bagunça de uma sala abandonada no mínimo há muito tempo. Com uma mini metralhadora na mão, a elfa mantinha o olhar fixo em sua direção, enquanto sua figura era iluminada pela luz do computador portátil ligado em cima de uma mesinha ao lado do sofá. Aquela visão causou um pouco de estranheza em Free, pois, apesar do ofício de traficante ele nunca tinha a visto com uma arma na mão.

_ Olá Dylon! Quanto tempo ... como vão as coisas? Disse ela abaixando a arma.

_ Sabe que se dependesse de mim o intervalo não passaria nem perto disso! Por que não me ligou antes? Respondeu ele.

_ As coisas não tem sido fáceis. Há muito já se foi o tempo em que Conda cuspia EGEU pelo ladrão! Tenho ouvido dizer que seus labs têm sido freqüentemente atacados. Porém, muitas são as versões sobre os verdadeiros motivos e responsáveis, e o mais interessante é que o mais provável é que todas as versões sejam verdadeiras, ou, pelo menos, boa parte delas.

_ É, mas pelo que sei, não tem faltado droga do outro lado da fronteira!

_ Pode até não estar faltando meu caro! Mas mortes estão sobrando em mesmo número. E eu não quero entrar nesta estatística. Se acha que é tão fácil por que não vem aqui e arruma mais pra gente?

_ Já estou tratando disto querida. Sussurra free enquanto delicadamente se aproxima e segura levemente o queixo fino de pele delicada da jovem._ E quando eu terminar você será minha parceira.

_Aqui está! Sharon se desvincula das mãos de Free e ergue uma maleta para cima do sofá. _ É o pedido. É todo seu. Diz ela. _Onde estão seus homens? Não vejo nenhum brutamontes por perto! Não me diga que você...

_ Sim isso mesmo! Eu vim sozinho. E voltarei sozinho. Free abre a maleta. _ Mas o que é isto? Não foi este o combinado!

_ Desculpe Dylon. Como eu lhe disse, as coisas estão sérias. Isto foi tudo que eu consegui arrumar. E sinto informar que o preço também subiu 30%.

_Porra Sharon! Você só pode estar de sacanagem!

_Porra digo eu Free!!! Tá louco?! Me arrisco pra cacete vindo aqui te passar esta merda e você ainda vai querer tirar uma com a minha cara? Se não estiver satisfeito me devolve o produto e a gente nunca mais se vê! Ou você também vai querer trocar chumbo comigo? É só o que falta agora!

Trocar chumbo não seria problema, mesmo por alguém tão bonita Free não hesitaria em atirar para não se arriscar. Acontece que ele vê a verdade em seus olhos e é grande sua vontade acreditar.

_Claro que não querida. Entendo você e agradeço pelo esforço. Desculpe pelo meu destempero. É que espero por esta encomenda há muito tempo e me senti desapontado. Sei que os últimos fatos não são culpa sua, assim como sei do seu esforço em continuar me fornecendo mesmo em meio a este caos.

_OK Free! Gostaria de continuar nossa conversa, mas preciso partir. Tenho compromissos se aproximando e estamos nos aproximando do tempo de rastreamento. Diz Sharon Enquanto guarda seus pertences.

_ Tudo bem Sahron. O cash já foi depositado.

_Até mais Dylon. Sharon se aproxima e sussurra em seu ouvido: _Se cuida. Dá um beijo em seu rosto e segue para a porta dos fundos da cabana.

Free guarda a maleta de EGEU em sua mochila, segue para a moto e em seguida pega a estrada. Foi a primeira vez que ela o beijou.

Toda espera há de ter um fim _ A era de egeu pt.3



Era tarde da noite, Free já havia bebido algumas doses de wisky e acompanhava algumas lutas na TV enquanto fumava um de seus charutos prediletos, quando de repente é assustado pelo disparo do alarme de seu comunicador alertando para uma nova mensagem que acabara de chegar. Era uma mensagem assinada por Sharon Link, o último contato com quem havia conseguido comprar EGEU.

Sharon é uma bela elfa que conhece como poucos as sombras do negócio em questão, e até então tem se mostrado para Free uma pessoa de caráter forte e palavra valiosa, que de certo modo despertou inegavelmente seus sentimentos na última vez que se encontraram. Voltando a se concentrar na mensagem exibida na tela, pôde ver um horário e uma localização no GPS. Encontrava-se a 300 km do local indicado e faltavam 3 horas para a hora marcada.

Como já haviam combinado que o valor da próxima compra seria de 5kk$ não pensou em mais nada, passou a mão em seus pertences, suas armas, a chave de sua moto mais veloz e saiu em disparada rumo ao inesperado encontro.

Oferta e procura _ A era de egeu pt.2



As vendas andam boas até demais. O problema é o abastecimento. Free tem passado EGEU rápido como o vento, mas desde o brutal assassinato de Frank Lasalle, vulgo coelho branco (não, ele não era um xamã), seu maior fornecedor, sua oferta não tem sido suficiente para suprir a demanda crescente de viciados em sua área de influência.

Free deu início aos seus negócios envolvendo EGEU a mais ou menos 10 meses, e neste tempo transformou um investimento de alguns milhares $$$ em alguns milhões, elevando o grau de sua gangue conhecida como Freelers ao status de organização criminosa, aumentando de forma considerável o número de integrantes e da área de atuação dentro de Seattle. Porém as últimas semanas não tem sido fáceis. A última carga que teve acesso foi 90% vendida em menos de três semanas, e há mais de um mês nenhum contato atende a suas chamadas.

E claro que em um ambiente tão favorável, não é de espantar que o concorrente mais próximo comece a dar as caras. Enquanto pontos de venda, antes considerados invulneráveis, tem sido atacados, noticias de traficantes rivais sendo vistos negociando pelas redondezas são cada vez mais comuns.

Estes últimos acontecimentos deixaram o clima tenso, Freelers andam a flor da pele e a ordem de Free para seus generais trolls é bem clara: atire primeiro, pergunte depois.