sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A Fuga _ A era de egeu pt.6



Free encontrou uma clareira e decidiu parar para descansar um pouco. Mantendo-se invisível sentou em uma pedra e suspirou profundamente. Conferiu o GPS e constatou que os aliados ainda estavam distantes, mas se aproximavam rapidamente. Não restava mais nada a não ser aguardar. Inclinou-se em uma pedra e fechou os olhos. Em certo momento ouviu arbustos farfalhando. Logo se colocou de prontidão, subiu na pedra e avistou lobos esgueirando por entre as árvores.




 Percebendo o perigo começou a caminhar rapidamente. Sentia a todo o momento que estava sendo seguido. Estavam provavelmente utilizando o faro para persegui-lo, o que neutralizava em muito seu feitiço de invisibilidade, por isso desfez o feitiço para poupar energia. Minutos depois parou atrás de uma grande rocha na subida de uma montanha. Aquela era uma posição privilegiada. Tinha a visão do alto, a proteção e a camuflagem de grandes rochas. Ouvia uivos arrepiantes constantemente. O frio era cada vez maior e uma neblina rasteira começava a se formar.






De costas para uma rocha ativou sua trava de feitiço e sacou sua Ares Predator. Olhou para baixo por entre as frestas do rochedo e viu um dos lobos perambulando lá em baixo, era enorme e farejava sua trilha. Aproveitando-se do fator surpresa, concentrou todas as suas forças e uma imensa bola de mana eclodiu em volta de suas mãos, saiu detrás da rocha e apontou para a fera que partiu em disparada em sua direção imediatamente após avistá-lo. Sem perder tempo converteu a mana em dardos mágicos que foram disparados pelo cano feroz de sua sedenta ares.  Os disparos atingiram o alvo em cheio, destruindo a articulação de uma de suas patas dianteiras, dilacerando seu couro como papel molhado. A fera ressoou um ganido agonizante e caiu rolando no chão, até parar, usando como freio a cara arrastada contra a terra.




Gravemente ferida, mas não morta, a criatura estava caída a poucos metros de Free e pela fúria que moldava sua expressão de ódio não seria a perda de um membro que iria fazê-la recuar. Os dois estavam frente a frente, de pé Free apontava a arma para o lobo, que por sua vez encarava-o de forma compenetrada.  Demonstrando velocidade de reação, a fera desferiu um ataque veloz e apesar da pronta tentativa de esquiva Free não evitou todo o golpe. As garras afiadas rasgaram suas roupas e parte de sua barriga, obrigando-o a contrair imediatamente os músculos, a dor era imensa enquanto observava seu sangue jorrar manchando a roupa esfarrapada. Antes que pudesse assimilar o golpe, o lobo usou as patas traseiras para quicar na rocha e desferir um novo ataque. A criatura veio voando para cima de Free que usou os braços para se defender. Com o impacto os dois rolaram montanha abaixo e pararam perto de uma ribanceira. Incansável o lobo levantou e partiu para cima novamente.




Free sentia-se exausto, mas não podia vacilar, sabia que aquele lugar ermo não poderia ser seu tumulo, aquele momento não poderia ser seu fim, não era aquele o destino que havia imaginado. Com a vontade de um Deus levantou tão rápido quanto o ágil lobo. Concentrou-se novamente na arma em suas mãos e no exato momento em que a criatura pulou com garras e presas em sua direção, disparou um coquetel fatal de chumbo e mana que o atingiu direto no peito. O impacto foi tão violento que jogou a carcaça da criatura barreira abaixo, espatifando-se nas rochas e atracando nas águas de um brejo.







Ao fim da batalha os olhos de Free estavam esbugalhados, suas narinas arreganhadas suspiravam sem parar, a respiração estava extremamente ofegante. Seus olhos ardiam de sangue, estava todo sujo de areia e lama, ferido e com as roupas rasgadas. Conferiu o GPS mais uma vez e observou que o grupo estava à meia hora dali. Reuniu suas últimas forças para um feitiço de invisibilidade e foi de encontro à estrada para adiantar seu resgate.