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| Dra. Elisya Rotaru (Foto: AP) |
Dra. Elisya Rotaru
Seattle , um dia qualquer do mês de novembro de um ano futuro.
Já passavam das duas da madrugada, e incrivelmente o plantão seguia tranqüilo naquela jovem quinta-feira que ficaria conhecida por minha equipe como “O Milagre Madockstaylor”.
O paciente chegou num estado crítico, uma massa disforme de carne, ossos e metais retorcidos. Podemos dizer q sua sobrevivência foi considerada um verdadeiro milagre pela equipe médica e também pelos curandeiros que pouco puderam fazer devido a grande proporção de implantes bioeletrônicos em seu corpo, o q reduzia drásticamente o nível de essência. Além de um forte feitiço em forma de aura branca que envolvia aquele resto de corpo quando observado astralmente.
Por um instante, instintivamente, hesitei em prestar atendimento àqueles restos mortais. Pareceu-me que nada mais poderia ser feito, mesmo com todo equipamento e magia disponíveis, o conhecimento me levava a crer que era o fim. Pensei que estivesse morto, pois aquela altura sua aparência já era cadavérica.
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| Xamã Jeremy Pé-de-Coelho Branco (foto: AP) |
Mas quando olhei para o Xamã Jeremy Pé-de-Coelho Branco seus olhos me disseram para prosseguir. O velho, audacioso e perspicaz Xamã ao observá-lo astralmente, reconheceu a origem do robusto feitiço em forma de aura que atacava seu organismo e repelia magias de cura, tratava-se de um feitiço de comutação espiritual, ou seja, um feitiço linkado a energia vital. E neste caso se o óbito estivesse sido consumado a aura já haveria abandonado a matéria.
__OBS: Todos sabem do alto grau de intelecto e sabedoria do Dr. Pé-de-Coelho, mas se perguntarem, ele jura até o fim que tudo na sua vida é Sorte !
OBS-2: Nunca Chame Jeremy Pé-de-Coelho Branco de Doutor quando o mesmo estiver presente. A não ser, claro, se quiser irritá-lo.__
Para minha total surpresa, ao tocar o corpo moribundo senti o fraco e lento pulsar de seu coração. Por um instante fui sufocada por uma forte sensação. Como um trovão a adrenalina invadiu minha cabeça, respirei fundo para tomar fôlego e comecei a comandar freneticamente a equipe para a grande batalha que estava prestes a começar. Uma batalha contra o tempo e a morte.
O sujeito encontrava-se vulgarmente semimorto (mais para morto do que semi!): em coma profundo, deformado por queimaduras em mais ou menos 60% do corpo, fraturas internas e externas, traumatismos, hematomas, hemorragias, muito sangue já havia sido perdido, além de aparente parada respiratória e cardíaca, tudo isso apenas a primeira vista. Mas se ele estava resistindo, quem éramos nós para desistir!
Enquanto prestava socorro pensava no que poderia ter acontecido a ele. Era um tempo onde as ruas estavam perigosas, todos os dias chegavam pacientes em estado grave ou mortos. Tiros, facadas, espadadas, chicotada, martelada... E toda sorte de desgraça que possa existir, mas algo daquele jeito eu nunca havia presenciado.
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Foi preciso literalmente reconstruí-lo, foram tratados tanto órgãos e membros biológicos quanto bioeletrônicos. Foram realizadas inúmeras intervenções cirúrgicas. O trabalho durou semanas, muitos ossos foram refeitos, desde o maxilar até as falanges distais. Houve falência múltipla de órgãos que tiveram de ser substituídos assim como bioeletrônicos em choque. E por último foi trocado seu coração, que após muita luta sucumbiu perante tantos traumas.
O milagre dos homens já havia sido feito. Eduard Madockstaylor havia sobrevivido e triunfado sobre o improvável. Mês após mês sua melhora crescia e seu corpo se adaptava a nova realidade. Porém, faltava agora a vontade dos Deuses em liberá-lo do coma e restabelecer suas atividades cerebrais, pois isso infelizmente não estava ao nosso alcance.
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| foto AP |





